Algumas
Noções Básicas:
Man Pages:
O FreeBSD contém em si mesmo uma ferramenta que pode (e deve) ser bastante útil a todos os utilizadores do sistema, desde o principiante até ao mais experiente. Refiro-me às "MANPAGES", que é uma característica de todos os Unix. Trata-se de um manual do sistema extremamente completo, que está sempre disponível para consulta a partir da consola. Podemos então consultar a documentação relativa a qualquer comando e a alguns ficheiros de configuração do sistema através do comando "man". Por exemplo, com a seguinte ordem, veriamos a página do manual relativa à palavra "passwd":
#
man passwd (para
consultar a respectiva página do manual)
O manual está organizado nas seguintes secções:
1 - Comandos do utilizador;
2 - Chamadas ao sistema;
3 - Funções e procedimentos;
4 - Dispositivos;
5 - Formatos de ficheiros;
6 - Jogos;
7 - Vários;
8 - Administração do sistema;
9 - Novos.
Então, por exemplo, para aceder à secção 5 do comando passwd, faz-se:
#
man 5 passwd (para
aceder à secção 5 do comando passwd)
Para consultar todos os comandos relacionados com o tema em questão podemos ainda utilizar a opção -k juntamente com o comando "man". Por exemplo:
#
man -k passwd (para
consultar todos os comandos relacionados com "passwd")
Noções de Nomenclatura:
Antes de se aventurar pelos caminhos de configuração do sistema FreeBSD, será conveniente aprender alguns conhecimentos básicos fundamentais, nomeadamente no que diz respeito à nomenclatura utilizada pelo sistema. Assim nesta secção irá fazer-se uma breve abordagem desta matéria. É mesmo necessária a aquisição destes conhecimentos para realizar a instalação do FreeBSD.
Vejamos então quais as designações que o FreeBSD utiliza no seu relacionamento com as drives físicas e lógicas:
Primeiro que tudo é conveniente referir que o MS-DOS pode dividir um disco até um máximo de quatro partições, em que estas são antecedidas por uma tabela de partições. Essas partições são designadas pelo FreeBSD como "slices". O termo partição é também utilizado pelo FreeBSD, mas para algo diferente, como mais à frente se verá.
A seguinte tabela mostra o exemplo de um disco IDE com as suas quatro slices definidas:
| Master Boot Record |
| Tabela de Partições |
| 1ª Slice - /dev/ad0s1 |
| 2ª Slice - /dev/ad0s2 |
| 3ª Slice - /dev/ad0s3 |
| 4ª Slice - /dev/ad0s4 |
É na tabela de partições que se encontra a informação relativa ao tamanho, localização e tipo das slices que o disco tem definidas. O Master Boot Record (MBR), está localizado imediatamente no início do disco para que o sistema da BIOS o consiga localizar durante o arranque (boot). Contém o código necessário para encontrar a slice indicada para o arranque e por isso, é apenas necessário no primeiro disco do sistema. O Master Boot Record e tabela de partições compreendem o primeiro sector do disco.
Vejamos agora na seguinte tabela como o FreeBSD designa as drives mais vulgarmente utilizadas:
| Tipo de Drive | Nome do Dispositivo |
| Disco rígido IDE | ad |
| CDROM IDE | acd |
| Disco rígido SCSI | da |
| CDROM SCSI | cd |
| Vários CDROMs não standarizados | mcd para o CDROM Mitsumi, scd para o CDROM Sony, matcd para o CDROM Matsushita/Panasonic |
| Floppy | fd |
| Tape SCSI | sa |
| Tape IDE | ast |
O FreeBSD emprega o nome "partição" de forma diferente que o MS-DOS. No FreeBSD uma partição pode ser um sistema de ficheiros, um espaço swap (memória virtual) ou, pode mesmo não se encontrar dentro de uma slice, referindo-se assim a outras partes físicas do disco. Um disco rígido poderá ter até quatro slices, que serão designadas desde "s1" até "s4". Relativamente às partições existentes dentro de cada slice, o FreeBSD dá-lhe o nome de uma letra de "a" até "h".
Exemplo:
Todos os dispositivos (de entrada ou não) são guardados na directoria /dev. Então o dispositivo /dev/ad0s1a pode decompor-se no seguinte:
/dev/ - Está localizado na directoria /dev (pois é um dispositivo);
ad - Diz respeito a um disco rígido IDE;
0 - Trata-se do primeiro disco (neste caso IDE);
s1 - É a primeira slice;
a - É a primeira partição.
Como podemos ver, primeiro que tudo vem o nome da directoria onde se situa, que é sempre "/dev"; Depois vem a designação do tipo de drive, "ad" neste caso(para um disco IDE); Segue-se a informação referente à slice em causa que no nosso caso é a primeira (s1); E por fim vem a letra referente à partição de que se trata (partição "a" neste caso).
Ainda outro exemplo: /dev/da1s2a
da - Diz respeito a um disco rígido SCSI;
1 - Trata-se do segundo disco (neste caso SCSI);
s2 - É a segunda slice;
a - É a primeira partição.
Tipos de ficheiros:
Como é natural, existem vários tipos de ficheiros no FreeBSD. Se digitarmos o comando "ls -l" iremos ver uma listagem dos ficheiros existentes na directoria onde nos encontrarmos nesse momento. Vejamos:
#
ls -l (para
vermos uma listagem dos ficheiros em formato longo)
total 21
drwxr-xr-x 2 asilva trabalho 512 Mar 21 00:50 acoes
-rw-rw-r-- 1 asilva trabalho 926 Mar 21 16:01 artigos.txt
-rw-r--r-- 1 asilva trabalho 1901 Mar 21 23:50 book.html
-rw-rw-r-- 1 asilva trabalho 7100 Mar 21 15:57 barco.gif
-rw-rw-r-- 1 asilva amigos 2088 Mar 21 15:57 myfile.exe
drwxrwxr-x 3 asilva trabalho 512 Mar 22 00:02 docs
drwxrwxr-x 2 asilva trabalho 2560 Mar 21 15:50 figs
-rw-rw-r-- 1 asilva trabalho 0 Mar 22 00:15 notas
-rw-r----- 1 asilva parodia 2865 Mar 21 15:47 pam.gif
Cada linha representa um ficheiro. O primeiro caractér de cada linha diz respeito ao tipo de ficheiro. Vejamos os diferentes tipos que existem no FreeBSD:
- ficheiro normal;
d directoria;
C dispositivo em modo caracter;
B dispositivo em modo bloco;
L ligação simbólica;
S socket;
= ou p FIFO
Permissões:
Se olharmos para a listagem efectuada com o comando "ls -l" da secção anterior, vimos que para cada ficheiro temos um conjunto de nove caracteres imediatamente após o caracter que diz respeito ao tipo de ficheiro. Desses nove, os primeiros três definem as permissões para o dono do ficheiro em causa, os seguintes três definem as permissões para o grupo a que pertence esse ficheiro e, os últimos três, definem as permissões para todos os outros utilizadores que nem sejam o dono nem pertençam ao grupo.
Dentro de cada um dos três grupos, o primeiro caracter diz respeito à permissão de leitura (r, 'read'), o segundo à permissão de escrita (w, 'write') e, o terceiro à permissão de execução (x, 'execute'). Assim, se numa determinada posição existe o respectivo caracter "r", "w" ou "x", significa que essa permissão existe, caso contrário esse espaço é ocupado pelo caracter "-" e a respectiva permissão é negada.
Vejamos como exemplo o ficheiro "myfile.gif":
-rw-rw-r-- 1 asilva amigos 2088 Mar 21 15:57 myfile.exe
Podemos ver que pertence ao utilizador "asilva" e ao grupo "amigos". Sabemos que é um ficheiro, pois o primeiro caracter é um "-".
As permissões para o dono (o primeiro grupo de três caracteres) são "rw-", ou seja, este pode ler e modificar o ficheiro, mas não pode executá-lo;
As permissões para o grupo (o segundo grupo de três caracteres) são "rw-", ou seja, os utilizadores pertencentes a este grupo podem ler e modificar o ficheiro, mas não podem executá-lo;
As permissões para os restantes (o terceiro grupo de três caracteres) são "r--", ou seja, todos os outros utilizadores apenas poderão ler o ficheiro.