Configuração básica pós-instalação do sistema:

 

Imediatamente após a instalação do FreeBSD poderá ser necessário realizar alguma configuração básica a fim de nos facilitar o caminho de consequentes configurações.

Neste documento apresentam-se os seguinte pequenos ajustes ao nosso sistema:

a) Modificação do teclado na consola;

b) Criação de mount points para o CDROM, a floppy e o Windows;

c) Modificação da shell do utilizador.

Existe um ficheiro de configuração do FreeBSD que talvez seja convenente destacar, pois este assume um papel importante em grande parte das configurações: Trata-se do ficheiro "/etc/rc.conf". A partir da versão 4.0 do FreeBSD, logo após a instalação, este ficheiro poderá não exitir. De facto o sistema só o cria após o programa "/stand/sysinstall" realizar alguma configuração que exija escrever nesse ficheiro. De qualquer das formas, exite um ficheiro chamado "/etc/defaults/rc.conf" que, como o próprio nome indica contém configurações que o sistema tem por defeito. As entradas existentes no ficheiro "/etc/rc.conf" têm o mesmo formato que as do "/etc/defaults/rc.conf", por isso, é de todo conveniente consultarmos este ficheiro antes de efectuar alguma alteração no "/etc/rc.conf".

 


 

Modificação do teclado na consola:

 

Por vezes, logo após a instalação do FreeBSD, apercebemo-nos que o layout do teclado que temos disponível na consola não corresponde ao da nossa linguagem. Assim, se por exemplo quisermos pôr o teclado português a funcionar na consola, teremos que fazer o seguinte:

É necessário editar o ficheiro "/etc/rc.conf" e adicionar a seguinte linha:

 

keymap=pt.iso.kbd #para que tenhamos o teclado português na consola.

 

Sempre que se altera o ficheiro "/etc/rc.conf", para que as alterações tenham efeito é necesário informar o sistema. Uma forma simples e eficiênte de o conseguir é fazer um reboot ao sistema, pois este ficheiro é sempre lido durante o arranque. Para tal faz-se (após sairmos da edição do ficheiro "/etc/rc.conf"):

 

# shutdown -r now     (para realizar um reboot imediatamente)

 


 

Criação de mount points para o CDROM, a floppy e o Windows:

 

Como é natural, o seu computador terá concerteza uma floppy drive e um CDROM. Muito provavelmente também partilhará o seu(s) disco(s) entre o FreeBSD e o Microsoft Windows. Nesta secção é abordada a forma de criar os mount points para os dispositivos atrás mencionados.

Mas o que são os "mount points"? Os mount points não são mais do que os locais (directorias) da nossa árvore de directorias que utilizamos para aceder a determinados dispositivos. Dispositivos esse que podem ser floppy drives, CDROMs, partições do disco rígido, etc...

Na raíz da árvore de directorias do FreeBSD, podemos encontrar uma directoria que tem por nome /mnt. Essa directoria é muito frequentemente utilizada para realizar o "mount" de alguns dispositivos (mas poderá fazê-lo em qualquer outra directoria). Uma forma organizada de lidarmos com esta situação é criarmos dentro da directoria /mnt as subdirectorias para acedermos a dispositivos como o CDROM, a floppy, ou mesmo a partição do disco onde temos instalado o Microsoft Windows (se for caso disso). Para tal poderiamos fazer (como 'root'):

 

    # cd /mnt        (para irmos para a directoria /mnt)

    # mkdir cdrom    (para criarmos a directoria /mnt/cdrom)

    # mkdir floppy   (para criarmos a directoria /mnt/floppy)

    # mkdir win      (para criarmos a directoria /mnt/win)

 

Neste momento temos já criados os chamados "mount points" para o CDROM, a floppy e a partição do Windows. É importante frisar que quer a operação "mount" quer a de "umount" deverão ser realizadas fora das respectivas directorias, caso contrário o sistema dará uma mensagem de erro (...device busy) e não realizará a operação desejada.

(Nota: veja a secção Algumas noções básicas para melhor entendimento dos seguinte exemplos)

 

CDROM:

Então, se tivessemos um CD que desejassemos explorar, bastaria para tal introduzi-lo no CDROM e realizar o seu mount:

 

# mount -t cd9660 /dev/acd0c /mnt/cdrom  (para fazer o mount do cdrom na directoria /mnt/cdrom)

 

ou então apenas:

 

# mount_cd9660 /dev/acd0c /mnt/cdrom  (para fazer o mount do cdrom na directoria /mnt/cdrom)

 

Após a utilização do CD, para "desmontar" o CDROM, bastará fazer:

 

# umount /mnt/cdrom  (para fazer o umount do cdrom da directoria /mnt/cdrom)

 

Floppy formatada em dos:

Da mesma forma com uma disquete formatada em dos, para realizar o seu mount:

 

# mount -t msdos /dev/fd0 /mnt/floppy  (para fazer o mount da floppy na directoria /mnt/floppy)

 

ou então apenas:

 

# mount_msdos /dev/fd0 /mnt/floppy  (para fazer o mount da floppy na directoria /mnt/floppy)

 

Após a utilização da disquete, para "desmontar" a floppy, bastará fazer:

 

# umount /mnt/floppy  (para fazer o umount da floppy da directoria /mnt/floppy)

 

Floppy formatada em Unix:

Para uma disquete com um sistema de ficheiros Berkeley FFS (Fast File System), não é necessário fazer referência ao tipo de sistema de ficheiros. Então, para realizar o seu mount:

 

# mount /dev/fd0 /mnt/floppy  (para fazer o mount da floppy na directoria /mnt/floppy)

 

ou então:

 

# mount_ufs /dev/fd0 /mnt/floppy  (para fazer o mount da floppy na directoria /mnt/floppy)

 

Após a utilização da disquete, para "desmontar" a floppy, bastará fazer:

 

# umount /mnt/floppy  (para fazer o umount da floppy da directoria /mnt/floppy)

 

Partição do Windows:

Para podermos aceder à partição do Windows poderiamos realizar o seu mount da seguinte forma (caso o windows se encontre na primeira partição do primeiro disco IDE do sistema):

 

# mount -t msdos /dev/ad0s1 /mnt/win  (para fazer o mount da partição do Windows na directoria /mnt/win)

 

ou então apenas:

 

# mount_msdos /dev/ad0s1 /mnt/win  (para fazer o mount da partição do Windows na directoria /mnt/win)

 

Após a utilização da partição do Windows, para "desmontar" a mesma, bastará fazer:

 

# umount /mnt/win  (para fazer o umount da partição do Windows da directoria /mnt/win)

 


 

Como já deve ter reparado, facilmente se pode tornar maçador realizar o mount de dispositivos como a floppy ou o cdrom, pois o comando é bastante extenso. Existe uma forma bastante fácil de evitar este tipo de situações em que temos que repetir com muita frequêcia determinados comandos incómodos de escrever. Basta para tal recorrermos aos "aliases".

No que toca à realização do mount de disposivos, é ainda conveniente fazer referência ao ficheiro "/etc/fstab". Neste ficheiro está uma lista dos dispositivos aos quais o sistema realiza o "mount" durante o arranque. Será também conveniente editar este ficheiro e adicionar-lhe as linhas correspondentes a outros dispositivos que venhamos a pretender realizar o mount (quer seja automaticamente durante o arranque do sistema ou não). Assim, podemos incluir neste ficheiro linhas referentes a dispositivos como o CDROM, a floppy ou algum partição de outro sistema operativo que tenhamos nos discos rígidos. Vejamos um exemplo de um ficheiro /etc/fstab, em que se faz referência ao mount de um CDROM, de uma floppy e de uma slice do disco pertencente ao Microsoft Windows:

 

# Device Mountpoint FStype Options Dump Pass#
/dev/ad0s2b none swap sw 0 0
/dev/ad0s2a / ufs rw 1 1
/dev/ad0s2g /home ufs rw 2 2
/dev/ad0s2e /root ufs rw 2 2
/dev/ad0s2h /usr ufs rw 2 2
/dev/ad0s2f /var ufs rw 2 2
proc /proc procfs rw 0 0
/dev/acd0a /mnt/cdrom cd9660 noauto,ro 0 0
/dev/ad0s1 /mnt/win msdos noauto,rw 0 0
/dev/fd0 /mnt/floppy msdos noauto,rw 0 0

 

Como podemos observar, as últimas três linhas dizem respeito respectivamente ao CDROM, à partição do Windows e à floppy. Se observarmos a coluna "FStype" vemos também que o mount da floppy é relativo ao formato msdos (se fosse formato unix, teria "ufs" em vez de "msdos"). Destes três dispositivos, apenas o dispositivo /dev/ad0s1 é "montado" automaticamente durante o arranque do sistema, pois como podemos ver, os outros dois tem definidas as opções "noauto" na coluna "Options".

É de todo vantajoso adicionar as linhas referentes aos nossos dispositivos ao ficheiro /etc/fstab, pois se houver neste ficheiro uma referência ao "mount" de um determinado dispositivo (por exemplo um CDROM), para realizar o seu mount bastaria fazer:

 

# mount /mnt/cdrom  (para fazer o mount do cdrom na directoria /mnt/cdrom)

 

Antes de configurar o seu ficheiro "/etc/fstab" é vivamente aconselhado a consultar as manual pages relativas ao "fstab" e ao comando "mount".

 


 

Modificação da shell do utilizador:

 

Uma shell é um programa que entre outras coisas se responsabiliza pela forma como comunicamos com o sistema através do teclado. Existem diferentes tipos de shells, em que cada uma delas apresenta características particulares. Cada utilizador é livre de instalar na sua conta do sistema a shell que mais lhe convier. Neste ponto exemplifica-se como instalar a shell "bash" no sistema para que fique disponível para todos os utilizadores:

O utilizador 'root' pode realizar a instalação quer através dos ports, quer através de pacotes pré-compilados (packages). Neste exemplo, escolheu-se a instalação através dos ports (para tal é necessário estar ligado à internet). Vejamos:

 

# cd /usr/ports/shells/bash2/ (para irmos para a directoria do port da bash)

# make install    (para instalar a shell "bash")

(Nota: veja a secção Instalar/Desinstalar programas para maior pormenor sobre as formas de realizar instalações de programas no FreeBSD)

Apóa a instalação da shell "bash" ter ocorrido com sucesso, podemos então alterar a shell que temos para a bash. Por exemplo, se o utilizador 'root' pretender modificar a sua shell para a bash, poderá agora fazer:

 

# chpass -s bash root (para alterar a shell do 'root' para a bash)

 

Para que a nova shell entre em vigor, basta que o utilizador em causa volte a realizar o login ao sistema. Poderá para tal utlizar o comando "exit" na consola e dar novamente entrada ao seu username e à sua password.

 


 

 

Página anterior

Página seguinte